6 de mai de 2011

Dia do Pau-Brasil: nossa árvore nacional


















No dia 3 de Maio se comemora o dia da árvore que originou o nome do nosso país: o pau-brasil. Pertencente à espécie Caesalpinia echinata lam (espinhos) essa é uma árvore leguminosa, nativa da Mata Atlântica do Brasil e que é considerada um ícone e uma herança da nossa época colonial.
Alcançando até 15 metros de altura, seu tronco é reto, com casca da cor cinza-escuro e coberto de acúleos (espécie de pelo enrijecido para proteger a superfície da planta, sobretudo o caule). Suas folhas são bipenadas (como se fossem penas), de coloração verde brilhante. As flores possuem quatro pétalas amarelas e uma menor vermelha, todas muito aromáticas. A floração ocorre do final do mês de setembro até meados de outubro. Os frutos, que são bastante apetitosos para os pássaros, são cobertos por longos e afiados espinhos que os protegem desses animais. Sua maturação ocorre entre os meses de novembro e janeiro e neles há de uma a cinco sementes de cor marrom.
Segundo alguns historiadores, o pau-brasil foi a primeira atividade econômica dos colonos portugueses quando recém chegaram à Terra de Santa Cruz (nome dado ao Brasil logo após seu descobrimento), no século XVI. A árvore possui uma essência corante em sua madeira que servia como tintura em manufaturas de tecidos de alto luxo da corte portuguesa. 
De coloração avermelhada, essa resina era utilizada pela indústria têxtil europeia como uma alternativa aos corantes de origem terrosa, dando assim aos tecidos uma cor de qualidade superior. Antes disso, Portugal adquiria esta mesma substância, com os mesmos fins, de uma árvore asiática cujo nome era Brazil. Por ela ser bastante escassa, os portugueses se encantaram com a abundância do pau-brasil e, em poucos anos, o tornaram alvo de muita exploração, lucro, comércio e contrabando. 


















Utilizado na época também pela marcenaria (até os dias de hoje, em confecção de arcos para violino e móveis finos) e pelos índios (na produção de seus arcos e flechas e na pintura de enfeites), criou-se uma demanda enorme desta árvore no mercado, resultando em uma rápida e devastadora "caça" ao pau-brasil nas matas brasileiras. Em pouco menos de um século, já não havia mais árvores suficientes para suprir a demanda, e a atividade econômica foi deixada de lado. 
O fim da caça ao pau-brasil não livrou a espécie do perigo de extinção. As atividades econômicas subsequentes, como o cultivo da cana-de-açúcar e do café, além do crescimento populacional, estiveram aliadas ao desmatamento da faixa litorânea, o que restringiu drasticamente o habitat natural desta espécie. 
Para que esta árvore, tão importante para a nossa história, não se torne desconhecida, o Jardim Botânico de São Paulo implantou, em 1979, um “bosque de pau-brasil”, na intenção de preservá-lo para que mais brasileiros conheçam esta espécie. Porém, é no município de Pernambucano, São Lourenço da Mata, que existe a maior reserva nativa da espécie. Denominada Tapacurá, ela possui aproximadamente 100 mil pés de pau-brasil.
Por ser considerada incorruptível – já que não apodrece e nem pode ser atacada por inseto -, atualmente, a madeira do pau-brasil pode ser, talvez, a mais valiosa do mundo. Para lembrar a sua importância, em 1924, Oswald de Andrade fez um manifesto sobre a nova poesia brasileira, intitulado "Manifesto da Poesia Pau-Brasil".

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